

Do ponto de vista do mercado, há uma progressiva tendência da sociedade passar a consumir mais produtos produzidos numa relação de equilíbrio com a natureza e limpos de qualquer resíduos de agroquimicos.
Não podemos repetir os erros do passado recente, ou seja, sair da ditadura dos químicos para outra ditadura, a dos orgânicos e nos deixarmos conduzir, apenas pela ótica do mercado. Dessa forma, os mesmos que exploram poluindo e contaminando com os agrotóxicos, continuarão explorando com a venda de insumos orgânicos e comprando produtos em nome do desenvolvimento sustentável. Sair dessa ciranda, significa construir um caminho próprio e fazer dele um projeto de vida para agora e para as próximas gerações.
Quando todos viviam a falsa ilusão do milagre econômico, incorporando em seu processo produtivo tecnologias desenvolvidas em outros países, não adaptadas à nossa realidade e voltadas para interesses puramente econômicos, os membros da Rede Ecovida, entidades com 10, 20, 30 ou mais anos, alertavam para as possíveis conseqüências negativas desta forma de produzir. Ao mesmo tempo que criticavam este modelo, também apontavam para alternativas que foram, ao longo dos anos, gestadas pelos agricultores e reconhecidas como viáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental.
Com os programas de formação, desenvolvidos em parceria com organizações populares e sindicais e instituições de ensino e pesquisa, a idéia foi tomando corpo. Tecnologias e métodos de Agricultura Ecológica foram sendo construídos e difundidos. Assim, gradativamente, essas entidades foram tornando-se referencia desse renovado jeito de produzir na agricultura. Nos programas de formação, incentiva-se formas produtivas que valorizem mais a mão de obra do que o capital; formas organizativas e de cooperação descentralizadas e sob o controle dos agricultores; processos produtivos que não degradem o meio ambiente e que todos os membros da família sejam sujeitos do processo.